Música x Vida ou Música = Vida

Quando fui criar as categorias para organizar os posts, a primeira que criei foi música. E é fácil entender o porquê. Tenho facilidade para conversar com qualquer pessoa e, geralmente, sobre qualquer assunto. Porém, invariavelmente, eu acabo falando de música.

Música é um pedaço de mim, faz parte da minha constituição celular (=P)e não consigo passar um dia sequer sem presentear meus ouvidos.

Esta ligação tão forte teve início em meados de 2005 quando me apaixonei por uma pessoa que gostava muito de música e, principalmente, de Rock. E eu me apaixonei muito por ela. Ela, pessoa e ela, música. Daí comecei a ouvir Mania FM, a rádio de pop/rock que conseguia sintonizar lá numa fazenda recôndita de Minas Gerais. Conheci Blink 182, CPM 22, Detonautas, Green Day, Led Zeppelin, Guns, Gabriel Pensador, Los Hermanos, Raimundos, Paralamas, Titãs e toda a trupe que fazia sucesso naquela época (e muitos continuam fazendo).

Eu já gostava de Legião Urbana, que minha amiga-irmã Crislane tinha me apresentado através de uma fita K7. Lembro-me perfeitamente das tardes que passava ouvindo e pausando mil vezes a fita para conseguir escrever a letra em um caderno. Só recapitulando eu morava na roça e nem tinha Internet na cidade (pelo menos, não que eu saiba), OK?

Ficávamos o dia todo com o rádio ligado, para delírio de minha mãe, gravando as músicas que passavam. Essa arte aprendi com minha irmã. Ela teve a ideia de sobrepor as músicas que passavam no rádio nas fitas de Geraldinho, Ryan e outros cantores evangélicos- sertanejos que minha mãe tanto gostava. Até hoje Mamis não nos perdoa por isso. Eu ficava depois repassando as fitas e tentando decorar a letra para cantar com a “galera” ou no chuveiro.

Bons tempos…. entendia quase nada de Faroeste Caboclo e mesmo assim enrolava a língua e ai daquele que pedisse pra eu repetir o que tinha cantado. E sempre tem uma música para o momento que você está vivendo. Quando tive de vir para Brasília e terminar meu namoro, chorava copiosamente com Vento no Litoral. E quem nunca chorou com dor de cotovelo ao ouvir essa música? Quando estava disposta ouvia “Passe em casa”, com os Tribalistas. Quando estava deprê, Andrea Doria; quando queria estudar ou dormir, Anjo da Guarda- Marisa Monte ou Flora- Chico Buarque; Aliás, essas ainda são minhas músicas de ninar.

No início de 2006 me mudei para Brasília para iniciar e terminar o Ensino Médio. Quando morava com meus pais raramente saía de casa. Uma vez ou outra dormia na casa de uma amiga ou na casa da Vozinha. O choque foi imenso. Sair de casa com 14 anos, cheia de planos, uma verdadeira visionária, para morar com tios e ver os pais 2, 3 vezes por ano foi a escolha que mudou completamente o rumo de minha vida. Nesse cenário, conheci a Música Popular Brasileira.

Foi amor à primeira vista.  Enviesei pelo Jazz, pelo Blues, pela Bossa Nova.

Conheci Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Nara Leão, João Gilberto, Elis Regina, MPB4, Roupa Nova, Quarteto em Cy, Gonzaguinha, Joana, Zé Keti, Ivan Lins, Leila Pinheiro, Chico Buarque, Tom Jobim, Maysa, Erasmo Carlos, Johnny Alf, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Vinicius de Moraes, Fernanda Takai (sucesso no Pato Fu e em carreira solo) e tantos outros.

Não sei o que me atraiu mais: o ritmo suave, a música bem trabalhada e, ao mesmo tempo, simples, a forma intimista de protestar, um sambinha delicado… Sei que a junção de todas essas características despertou uma paixão avassaladora e permanente.

Como eu havia dito, cada momento da vida é marcado ou nos remete a uma música. Desde que estou na capital do Brasil a trilha sonora é Bossa Nova.

Agora, mais do que eu disse ou do que possam dizer, tem uma canção do Chico Buarque que define muito bem a capacidade da música de transformar, de alegrar; e como sua ausência entristece, desmotiva e, diria até, causa um conformismo. Chama-se A Banda.

Nesse vídeo “A Banda” é interpretada por Nara Leão em um Festival em 1966.

Posso dizer que meu gosto musical é muito variado. Mas minhas preferências são Rock e Bossa Nova. Preferências contraditórias, eu sei. Como eu.

4 Comentários

Arquivado em Música

4 respostas para Música x Vida ou Música = Vida

  1. Ri muito lembrando da gente gravando por cima das fitas da Mamis. Revelaçoes tambem hein?? Namorado?? Nem eu sabia que tinha sido tao envolvente.. :D Rai, parabens! Nao canso de dizer: PARABENS!! Sua habilidade com as palavras colore mais a minha vida, sua capacidade de nos fazer rir, sonhar, pensar e emocionar. Sempre sua leitora, fã, irmã e amiga. Larinha

  2. Ju

    Meu Deus!!
    Sério garota, me enchi de orgulho com esse post. E ao mesmo tempo me senti uma inútil, que saco. kkkkkk
    Quero escrever assim, e ser “hiperariva” (não é isso, mas não consegui pensar em nenhuma outra palavra, sorry :P ) como vc, que faz/ouve/conhece/lê/escreve mil coisas ao mesmo tempo!
    Parabéns amiga!

    Beeeeeijo

    • Mais uma vez: Obrigada nega!
      Uma capacidade feminina que é super aguçada em mim: fazer mil coisas ao mesmo tempo. Mas isso não é tão bom, estressa e as vezes eu quase piro.

      E vc tmbém faz/ouve/conhece/lê/escreve um monte de coisas, nem venha com modéstia pro meu lado!
      E é super talentosa e engraçada!

      E…volta logo pra Brasília! Um dia queria sair e ninguém podia sair comigo! (Deprimi)
      E se vc estivesse aqui a gente poderia ir junto.

      bjoo

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