Sobre pais e meu pai

Ontem foi dia dos pais.

Existem pais que são presentes na vida dos filhos, que opinam, aconselham, puxam a orelha. Assim como existem pais que raramente vêem seus filhos ou que nem sabem que são pais. Sim, há pais de todo jeito.

E como em todo ano, os filhos procuram demonstrar seu amor e admiração no dia dos pais através de presentes, de almoços em restaurantes ou de qualquer coisa que saia da rotina diária. Essa é a forma que se difundiu para mostrar que os filhos gostam dos pais.

Tais atitudes seriam totalmente desnecessárias se durante todo o ano houvesse demonstração de carinho, respeito e admiração para os pais que merecem.

Eu nunca fui de presentear meu pai. Talvez seja porque quando morava com ele eu não tinha dinheiro para presenteá-lo. Todo o dinheiro da casa vinha dele, então se eu comprasse um presente pra ele, com o dinheiro dele, eu não o estaria presenteando. Mesmo hoje, que vivo há uns 550 quilômetros, trabalho e recebo por isso, eu não compro presentes pra ele em comemoração do dia dos pais.

Mas ligo pra dizer “Feliz dos Pais!”. Sempre disse isso no segundo domingo do mês de agosto. E, invariavelmente, meu pai sempre respondia: “Feliz dia dos filhos!” Ontem não foi diferente. Recebi uma felicitação por ser filha, mas recebi muito mais que isso. Recebi a confirmação que meu pai ainda é meu pai. Ele não mudou.

A tarefa de ser pai é muito difícil. Um pai sempre projeta a vida que ele quer que seu filho tenha. Talvez na profissão, no caráter, na vida sentimental… Mas isso é praticamente impossível uma vez que não dá pra decidir nada a respeito de ninguém. Cada um tem suas escolhas, sem contar nas escolhas que a vida nos impõe.

Eu mudei e estou em constante processo de mudança. E meu pai, mesmo não concordando com muitas dessas mudanças, continua sendo o mesmo. O mesmo pai que ouve, que balança a cabeça em sinal de reprovação, que parabeniza, que discute, que sorri, que sofre silenciosamente, que se orgulha dos filhos.

Meu pai tem muitas qualidades ruins, não posso negar. Mas isso jamais foi empecilho para que eu o admirasse e o amasse.

Ouvir “Feliz dia dos filhos!”, no dia dos pais, só me leva a dizer: Obrigada pai por se fazer presente em minha vida tão conturbada e obrigada Graham Bell por me proporcionar momentos em que a fala e o ato de ouvir me mostram que ainda tenho um pai.

2 Comentários

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2 respostas para Sobre pais e meu pai

  1. Ju

    Que lindo!!
    Com a correria do dia-a-dia, a gente esquece de demostrar pras pessoas o que sentimos por elas, né?!
    Mas pai e mãe sentem, nem que seja por um simples olhar ou um simples telefonema irrelevante. ;)
    Ainda bem que existem os “dias” dos pais, das mães, dos avós, dos amigos… pra que a gente não seja ‘seduzido’ pelo stress do mundo e esqueça de dizer ‘eu te amo’ pelo menos uma vez por ano!

    Ps: Eu compro presente pro meu pai com o dinheiro dele mesmo. hahahahahaha :P

    beeeijos e ‘feliz segunda-feira’! :)

  2. LARA

    Acredite!! O que eu comentei sobre o Dia dos Pais foi: vou ouvir um FELIZ DIA DOS FILHOS!!! Sempre, desde que nasci!! hahaha

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