Texto – Paradoxo e Álcool

Já não sei o que pensar se todos os meus pensamentos são o fruto de imposições. Não entendo a contradição dos meus desejos, não vejo lugar habitável além das paredes do meu quarto. Não. Não. Não. A vida é uma negação.

Não estou preocupada em construir períodos e frases lógicas ou coerentes. Porque meus sentimentos jorram. E nesse jorro sai mágoa, sai angústia, sai decepção.

É como se eu não existisse. Como se eu fosse um misto de emoções que vagam pelo ar em busca de um porto seguro. E esse porto não existe.

Suicídio é uma tentativa de acabar com a dor, não com a vida. Mas não quero que a dor acabe. Eu a busco, pois a dor é a única prova de que ainda estou viva. Não sou um ser que vegeta. Não sou o alvo de olhares indiferentes. Eu sinto dor. Eu estou viva.

Sei que estou. O álcool penetra em minhas veias, fazendo com que elas latejem, pulsem. Meu corpo entra em transe. Cada centímetro do meu corpo dói. É o sinal, há vida nele.

Porém, esta não é a vida que quero.

Sou um paradoxo. Racional paradoxo. Por que não consigo controlar meu corpo? Por que o álcool o controla? Meu cerebelo deve me obedecer. Quero ficar equilibrada.

Há forças sobrenaturais que me puxam para o chão. Meus olhos se recusam a esquentar. Mas eles não são donos de si. O álcool é o senhor do domínio. Não há fuga. Como também não há fim.

1 Comentário

Arquivado em Meus textos

Uma resposta para Texto – Paradoxo e Álcool

  1. Guria, tu é demais, já te disse isso?! hehe
    Orgulho define. ;)

    beeijo
    Ju

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